sábado, 6 de dezembro de 2014

Fabricantes de sucos terão de mostrar na embalagem o porcentual de polpa

Novas exigências do Ministério da Agricultura também determinam que empresas aumentem quantidade de suco em néctares de uva e de laranja
A partir de 12 de dezembro as fabricantes de bebidas não alcoólicas serão obrigadas a informar a porcentagem de cada ingrediente nos rótulos de seus produtos, de acordo com as novas exigências do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).


Segundo o chefe da Divisão de Bebidas, Marlos Vicenzi, embora não haja um levantamento sobre quantas empresas se adequaram, a percepção a partir da fiscalização estadual é que muitas já trazem os rótulos modificados. Vencido o prazo final, a obediência à norma passará a ser cobrada e quem não cumprir pode ser punido. 
O objetivo é mostrar para o consumidor a quantidade de suco de fruta, suco vegetal ou polpa de fruta presente nas bebidas – o suco de fruta corresponde à bebida produzida exclusivamente a partir da fruta; o suco vegetal é produzido a partir da fruta e de outros alimentos; e a polpa corresponde à parte carnosa da fruta, que, uma vez diluída, dá origem ao suco.
 “Essa exigência vai ser enquadrada na nossa rotina de fiscalização. Além disso, a gente está estudando a possibilidade de criar uma força-tarefa para fiscalizar os rótulos de bebidas. Quando a gente verifica irregularidade, lavra auto de infração. A depender da irregularidade, além de multa pode haver fechamento do estabelecimento, destruição do rótulo.”informou Vicenzi. 


Outra adequação que os fabricantes de bebidas serão obrigados é aumentar a quantidade mínima de suco nos néctares de uva e laranja.  A partir de 31 de janeiro de 2015, o percentual de suco nas bebidas do tipo néctar passará de 30% para 40%. Em 31 de janeiro de 2016 a quantidade deverá ser aumentada para 50%. O MAPA informou que a medida atende a um pedido dos produtores de frutas. 


A nutricionista do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), Ana Paula Bortoletto, afirma que a medida é importante para que o consumidor possa fazer uma compra esclarecida. Existem no mercado diversas bebidas que apresentam teor muito elevado de açúcar e pouca quantidade de fruta. 

Segundo a nutricionista, houve avanço no aumento do percentual de fruta nos néctares de uva e laranja, porém critica o fato de a medida abranger só duas frutas. 
FONTE: Jornal o Tempo da Agência Brasil (2014) e Revista Veja (2014). 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Cartilha sobre Alergias Alimentares


"Cartilha da Alergia Alimentar" lançada pela Proteste (Associação de Consumidores) em parceria com a equipe da campanha "Põe no Rótulo", visa conscientizar a população sobre a alergia alimentar e ajudar quem apresenta essas alergias a identificar nos rótulos dos produtos os ingredientes que possam acarretar danos à saúde.

A cartilha apresenta legislações sobre o direito do consumidor, conceito de alergia alimentar, como se lê e a importância da leitura dos rótulos, como proceder em casos de emergências e dicas. 

"Muitos alimentos são capazes de provocar alergia, porém, cerca de 90% das alergias alimentares são causadas pelos seguintes alérgenos: ovo, leite, amendoim, soja, trigo, oleaginosas, peixes e crustáceos."

"Por diversos fatores relacionados à realidade em que vivemos hoje, precisamos, muitas vezes, consumir alimentos processados industrialmente. Com isso, pessoas com alergia dependem das informações sobre alérgenos (substâncias capazes de desencadear uma reação alérgica) que deveriam estar claramente contidas nos rótulos dos produtos. Muitas vezes, a informação não vem de forma tão clara no rótulo do alimento pelo uso de denominação pouco acessível." 




sábado, 8 de novembro de 2014

Porque muitas pessoas obesas não desenvolvem diabetes mellitus?

Acredita-se que as pessoas obesas geralmente apresentam um risco maior de desenvolver diabetes mellitus (DM) e doenças cardiovasculares. Entretanto, um estudo publicado em 2013 sugere que o aumento do risco está mais relacionado à inflamação do que ao excesso de peso. 

Pesquisadores da Irlanda relataram que a inflamação crônica pode afetar o risco de doenças cardiovasculares e DM2, tais como glicemia elevada, pressão arterial alta e colesterol. Isto pode explicar o porquê de 35% das pessoas com obesidade não serem afetadas por distúrbios metabólicos. 

"Em nosso estudo, as pessoas metabolicamente saudáveis- obesos ou não- tiveram níveis baixos de diversos marcadores inflamatórios." afirma o autor do estudo. Independentemente do seu índice de massa corporal, pessoas com perfil inflamatório favorável, também tendem a ter perfil  metabolicamente saudável. 

Ao examinar certos parâmetros inflamatórios, os pesquisadores descobriram que aqueles indivíduos não afetados por distúrbios metabólicos apresentaram um número mais reduzido de leucócitos e proteínas de fase aguda, os quais estão elevados em resposta à inflamação. Níveis mais altos de adiponectina, um hormônio anti-inflamatório, foram detectados em indivíduos que não apresentavam distúrbios metabólicos. 

Esses achados foram detectados tanto em indivíduos magros como obesos que eram metabolicamente saudáveis. Os autores concluem que a análise de marcadores inflamatórios oferecem  uma estratégia em potencial para a identificação de indivíduos  que poderiam se beneficiar mais das intervenções médicas. 

FONTE: Dallas, ME. Study May Explain Why Som Obese People Don't Get Diabetes. HealthDay News. 2013. Disponível em: http://consumer.healthday.com/vitamins-and-nutritional-information-27/obesity-health-news-505//study-may-explain-why-some-obese-people-avoid-diabetes-679589.html. Acesso: 08.nov.2014





segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Cacau pode ajudar a reverter a perda da memória

Cacau pode ajudar a retardar e até mesmo reverter a perda de memória relacionada à idade, de acordo com um estudo realizado pelo Centro Médico da Universidade de Columbia, em Nova York. Os cientistas acreditam que os flavonoides, antioxidantes presentes dentro dos grãos de cacau, pode dar às pessoas de 60 anos de idade a memória “típica de 30 ou 40 anos de idadade".

Esta é a primeira evidência de que o declínio da memória relacionado à idade - um problema comum que pode levar pessoas mais velhas a esquecer pequenas coisas, como os nomes de conhecidos ou onde colocaram as chaves - pode ser combatido com mudanças na dieta.

Os ensaios clínicos desse estudo envolveram 37 voluntários, com idades entre 50 e 69 anos, divididos em dois grupos. Um grupo tomou diariamente uma bebida com dose alta (900 mg) de flavanoides, enquanto o outro tomou uma bebida com apenas 10 mg da substância por dia.

Depois de três meses, o grupo que bebeu a dose alta mostrou sinais de reconhecimento mais rápido de padrões visuais. As varreduras do cérebro antes e depois do ensaio mostraram mais sangue dentro do giro denteado do hipocampo, uma das poucas regiões conhecidas por gerar células cerebrais frescas.

- Se um participante tinha a memória de uma pessoa de 60 anos de idade no início do estudo, após três meses essa memória vira a de uma pessoa de 30 ou 40 anos de idade - disse o autor sênior do estudo, Scott Small.

O estudo, publicado no periódico on-line “Nature Neuroscience”, ressalta que a bebida usada nos voluntários foi um drink feito especialmente formulado a partir de grãos de cacau. E, portanto, não adianta aumentar o consumo de chocolate.


Referência: 
BRICKMAN, Adam M et al. Enhancing dentate gyrus function with dietary flavanols improves cognition in older adults. Nature Neuroscience, Nova York, n. 3850, p.1546-1726, out. 2014. Disponível em: . Acesso em: 27 out. 2014.


terça-feira, 7 de outubro de 2014

Dia Mundial da Alimentação: 16 de outubro

A FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) realiza anualmente o Dia Mundial da Alimentação em 16 de outubro, desde o ano de 1981. Trata-se do dia em que a organização foi fundada, em 1945. Entre os objetivos dessa ação, está o incentivo a uma maior atenção à produção agrícola em todos os países, estimular a cooperação econômica e técnica entre países em desenvolvimento, além de promover o sentimento de solidariedade nacional e internacional na luta contra a fome, a desnutrição e a pobreza.

O tema do Dia Mundial da Alimentação de 2014, "Alimentar o mundo, cuidar do planeta", foi escolhida para promover a conscientização sobre a agricultura familiar e os pequenos agricultores. A atenção do mundo focada no papel importante da agricultura familiar para erradicação da fome e da pobreza, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição, melhores meios de vida, gestão de recursos naturais, proteção do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável, particularmente nas áreas rurais. 
A Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas proclamou 2014 o "Ano Internacional da Agricultura Familiar". Este é um sinal claro de que a comunidade internacional reconhece a importante contribuição da família para os agricultores  mundiais de segurança alimentar. 
Segundo dados da FAO, há no mundo em torno de 570 milhões de propriedades rurais com pequenas extensões territoriais, com até 2 hectares de terra. Deste total, 74% estão localizados na Ásia e apenas 4% estão localizados na América Latina, como mostra a Figura 01. 
Estão sendo realizadas diversas ações em todo o mundo e no Brasil para a Semana da Alimentação, que ocorrerá dos dias 11 a 17 de outubro. 

FONTE: FAO, 2014. Disponível em: http://www.fao.org/world-food-day/home/es/. 



domingo, 21 de setembro de 2014

Artigo: Estudo sugere que adoçantes artificiais não calóricos podem predispor a diabetes

Estudo publicado em setembro de 2014 pela revista Nature indica que o consumo de adoçantes não calóricos podem estar associados com a intolerância à glicose e risco de diabetes. Isto porque as substâncias presentes nestes adoçantes alterariam o equilíbrio das bactérias intestinais responsáveis pelo metabolismo dos carboidrados. 

Adoçantes artificiais não calóricos (AAN) estão entre os aditivos alimentares mais utilizados em todo o mundo, regularmente consumidos por tanto por indivíduos obesos quanto por indivíduos com o peso adequado. O consumo dos AAN é considerado seguro, porém dados científicos permanecem escassos e controversos.

As formulações normalmente utilizadas nos AAN impulsionaria o desenvolvimento da intolerância à glicose através da indução de alterações composicionais e funcionais da microbiota intestinal. A reação das pessoas aos adoçantes pode variar dependendo do tipo de bactéria que abrigavam. Foram identificadas duas populações diferentes de micróbios intestinais, uma que provocou a intolerância à glicose quando exposta aos edulcorantes e outra que não. Algumas bactérias também reagiram a adoçantes artificiais através da secreção de substâncias que provocaram uma resposta inflamatória semelhante a uma overdose de açúcar.

Os resultados demonstram ligação do consumo de AAN com a disbiose e distúrbios metabólicos, sendo necessária a reavaliação de seu uso maciço. Os cientistas pediram cautela com os resultados da pesquisa, já que os testes foram feitos em apenas sete voluntários humanos até o momento. No entanto, eles já recomendam que todos evitem o uso exagerado de adoçante, substituindo as bebidas açucaradas por a água.


Referência: SUEZ, Jotham et al. Artificial sweeteners induce glucose intolerance by altering the gut microbiota. Nature, v. 10, n. 1038, set. 2014. Disponível em: . Acesso em: 21 set. 2014.



quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Quase metade dos brasileiros se dizem obesos, mas apenas 16% fazem mudanças na alimentação

De acordo com pesquisa, 49,4% das pessoas são sedentárias ou praticam exercício menos de uma vez por semana

    Quase metade dos brasileiros com mais de 16 anos admite que está acima do peso ideal, mas apenas 16% fazem algum tipo de mudança no estilo de vida. Além disso, 49,4% da população é sedentária ou pratica exercício menos de uma vez por semana. Essas são algumas revelações de uma pesquisa do Conecta, plataforma online do Ibope, que entrevistou 1.100 pessoas de todas as regiões e classes sociais do país, entre 6 e 13 de agosto. 
    Os dados confirmam os levantamentos mais recentes do Ministério da Saúde, o qual mostram que 50,8%  da população brasileira tem obesidade ou sobrepeso. De acordo com  o Conecta, 88,7% reconhecem que devem mudar seus hábitos alimentares de forma radical ou moderada.
   A contradição, segundo a diretora executiva da empresa, Laure Castelnau, está na pergunta relacionada à dieta. "A pesquisa mostrou que as pessoas, especialmente acima dos 35 anos, sabem que precisam emagrecer, mas poucas tomam uma atitude nesse sentido", diz. Os indivíduos que decidem reduzir as porções ingeridas ou iniciar a prática de exercícios estão principalmente na classe A. "Nesse grupo, 29% fazem dieta e 13,2% se exercitam todos os dias. São os maiores índices", afirma Laure.
    Quando se analisa as respostas por região, os moradores do Centro-Oeste são os que fazem mais autocrítica em relação ao peso. De acordo com o Conecta, 56,3% se consideram acima do peso. Na contramão, só 41% da população do Sudeste tem a mesma opinião. Já quem mora no Nordeste demonstra mais preocupação médica. Segundo a pesquisa, 46% procuraram, em algum momento da vida, um profissional da saúde para tratar obesidade. No Sul, essa taxa é de 28%.


      Sedentarismo. A combinação de hábitos alimentares inadequados com a falta de atividade física é crucial para a saúde dos brasileiros. Quase 15% não tomam café da manhã, considerada por nutricionistas refeição indispensável, e 33% não fazem nenhum tipo de exercício. “O sedentarismo é ainda maior entre as mulheres”, afirma Laure Castelnau. “A pesquisa mostra que esse índice chega a 40% no público feminino. Os homens, por sua vez, praticam o futebol nos fins de semana.” 

FONTE: FERRAZ, A. Jornal Estadão. São Paulo. set. de 2014. Disponível em <http://estadao.br.msn.com/ciencia/45percent-dos-brasileiros-admitem-sobrepeso-mas-s%C3%B3-16percent-fazem-dieta> Acesso em 04 de set. 2014.  

sábado, 16 de agosto de 2014

Brasileiros consomem mais que o dobro do sal recomendado pela OMS


A grande quantidade de sódio (elemento presente no sal) presente tanto nos alimentos industrializados quanto na mesa dos brasileiros preocupa o governo brasileiro e motiva iniciativas de saúde pública para monitorar o consumo, reduzir os índices já na fabricação e promover mudanças de hábitos.

Segundo dados compilados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) através a pesquisa Vigitel 2013 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) cerca de metade dos brasileiros (48,6%) avalia seu consumo diário de sal como "médio". A percepção equivocada preocupa médicos e autoridades, já que o país estima que o consumo médio do brasileiro seja de 12 gramas de sal por dia, mais do que o dobro dos 5 gramas diários recomendados pela OMS.

O governo estima que um quarto da população sofra de hipertensão arterial, uma das consequências do excesso de sódio na dieta. O excesso de sal na alimentação está ligado ao aumento no risco de doenças como hipertensão, doenças cardiovasculares e doenças renais. O Ministério da Saúde indica que doenças crônicas não transmissíveis, como essas, são responsáveis por até 63% das mortes no mundo e 72% no Brasil, sendo que um terço dos óbitos ocorre em pessoas com menos de 60 anos. 

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/08/140812_reducao_sodio_jf_kb.shtml#page-top

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Os 9 mitos sobre a obesidade

De acordo com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) mais de um terço dos adultos nos EUA são obesos. Isso leva a um risco aumentado de doença cardíaca, derrame, diabetes tipo 2 e até alguns tipos de câncer. Tudo isso tem um custo enorme. O CDC diz que o custo médico anual estimado da obesidade nos EUA foram 147 bilhões de dólares, no ano de 2008. Em outra colocação, se você é obeso seus custos médicos são, em média, 1.492 dólares a mais que das pessoas com peso normal. 

Reduzir a obesidade requer acesso à boa informação, dizem os pesquisadores da Universidade de Alabama em Birmingham (UAB). David Allison, diretor associado da Escola de Saúde Pública na UAB e autor do artigo "We refer to the former as presumptions and the latter as myths" e sua equipe identificaram o que eles alegam ser os 9 mitos sobre a obesidade.

Mito  1
Perder peso rapidamente pode predispor a uma maior recuperação do peso em relação à perda de peso de forma mais lenta. De acordo com Allison não é assim, pode haver razões de saúde para lentamente se perder peso, mas a preocupação com a recuperação do peso não é uma delas.

Mito  2
Definir metas realistas de perda de peso no tratamento da obesidade é importante, porque caso contrário os pacientes tornam-se frustrados e perdem menos peso. A equipe da UAB diz que sua pesquisa não apoia isso.

Mito  3
Avaliar a "fase de mudança" ou "prontidão" para a dieta é importante para ajudar os pacientes que buscam tratamento de perda de peso perderem peso.

Mito  4
Aulas de educação física desempenham um papel importante na redução da prevalência da obesidade infantil. Qualquer atividade física organizada deve ser vista como positiva, mas uma boa nutrição e um estilo de vida ativo - com menos tempo de televisão - são muito mais importantes.

Mito  5
O aleitamento materno é protetor contra a obesidade nas crianças amamentadas. O aleitamento materno pode apresentar muitos benefícios, mas Allison diz que as ligações com a redução da obesidade são, em grande parte, míticas.

Mito  6
A auto pesagem diária interfere na perda de peso. Não necessariamente, diz Allison.

Mito nº 7
Os genes não têm contribuído para a epidemia de obesidade. Na verdade, os pesquisadores identificaram um gene que dizem promover a obesidade.

Mito nº 8
O primeiro ano de faculdade está associado ao ganho de peso. O "Freshman 15" (traduzido como ‘Calouro 15’ é uma expressão americana usada para o ganho de peso de 15 libras no primeiro ano de faculdade) não foi inventado por pesquisadores científicos, mas por revistas para adolescentes.

Mito nº 9
Desertos alimentares (ou seja, áreas com pouco ou nenhum acesso à venda de alimentos saudáveis frescos e acessíveis) levam a maior prevalência de obesidade.

Em vez de se apegar e perpetuar mitos sobre a obesidade, os pesquisadores dizem que os formuladores de políticas de saúde precisam abandoná-las e seguir em frente. "Acreditamos que os cientistas precisam procurar respostas para perguntas usando os mais fortes projetos experimentais", disse Allison. "Como uma comunidade científica, é preciso ser honesto com o público sobre o que sabemos e não sabemos, como podemos avaliar as estratégias propostas para a perda de peso ou prevenção da obesidade."  


Reportagem traduzida e adaptada do site ConsumerAffairs, publicada em junho de 2014.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Artigo: Gordura trans banida: Regulamentação de Alimentos e Saúde a longo prazo



As gorduras trans existem naturalmente em pequenas quantidades na gordura de carne e leite, mas a maioria das gorduras trans presente nos alimentos foram acrescentadas pelos fabricantes nas indústrias. Desde 1911, as empresas têm utilizado as gorduras trans artificiais devido suas propriedades comercialmente favoráveis, como longa vida, estabilidade durante a fritura, e palatabilidade. Essas gorduras, portanto, foram incorporados em um grande número de alimentos, incluindo alimentos fritos, assados​​, margarinas e biscoitos. A fonte alimentar primária de gordura trans artificial está nos óleos parcialmente hidrogenados, criados pela adição de hidrogênio aos óleos vegetais.

No início de 1990, os estudos começaram a revelar efeitos negativos da gordura trans na saúde e em meados da década de 2000 ficou claro que estas aumentam o risco de doença cardíaca coronariana, provavelmente através de seu efeito deletério sobre a lipoproteína de baixa densidade e lipoproteína de alta densidade. Em 2003, a Dinamarca proibiu óleos parcialmente hidrogenados, e vários outros países seguiram o exemplo; nos Estados Unidos, Nova York aprovou a proibição de alimentos contendo gordura trans nos restaurantes no ano de 2006 e o estado da Califórnia fez o mesmo em 2008.

Agora, mais de uma década após a primeira proibição, a Food and Drug Administration (FDA) propôs um regulamento que iria declarar óleos parcialmente hidrogenados inseguros e permitir que apenas uma pequena quantidade de gorduras trans artificiais esteja presente em alimentos vendidos nos Estados Unidos. Um forte argumento para a eliminação das gorduras artificiais são os dados apontados pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, a qual estima que esta ação poderia evitar cerca de 20.000 eventos coronarianos e 7.000 mortes por causas coronárias a cada ano nos Estados Unidos.

Essencialmente proibir gorduras trans artificiais seria uma vitória da saúde pública, possível em parte pela resistência limitada da indústria de alimentos. Quando Nova York propôs a sua proibição, a indústria de restaurantes resistiu, alegando que os alimentos custariam mais, o sabor seria pior e que as escolhas de consumo seriam restritas, pois a cadeia de abastecimento não poderia produzir gorduras alternativas em quantidades suficientes. Nenhuma dessas previsões se confirmou e a indústria se adaptou. O que pode ter preocupado mais a indústria foi o precedente criado pelos governos alegando interesse e autoridade sobre as consequências desses alimentos para a saúde a longo prazo. E, de fato, esse precedente torna a ação FDA histórico: a proibição de gorduras trans artificiais vai salvar vidas, mas também prenuncia ações governamentais futuras muito mais amplas em relação à oferta de alimentos que irão afetar a saúde humana.

O FDA tem autoridade máxima sobre a rotulagem e a segurança do abastecimento de alimentos processados ​​nos Estados Unidos. A primeira exigência dirigida às gorduras trans foi a divulgação de seu conteúdo nas informações nutricionais nos rótulos dos alimentos, que se iniciou em 2006. Assim, os fabricantes de alimentos reformularam alguns produtos alimentares para reduzir ou eliminar a gordura trans, evitando assim ter que declará-la como um ingrediente. Porém, estudos mostraram que determinadas subpopulações continuaram a apresentar alto consumo devido seu uso de produtos à base de gordura trans, tais como margarina e alimentos altamente processados​​, como alguns assados​​, que podem ser produzidos com fontes alternativas de gordura.

Óleos parcialmente hidrogenados foram considerados seguros pela indústria alimentar e são utilizados em alguns alimentos. No entanto, a FDA tem a autoridade para emitir um aviso propondo a determinação de que a substância não é "geralmente reconhecida como segura" (GRAS) e como resultado, está sujeita a maior regulação. Em 2013, o FDA determinou que não há "mais nenhum consenso científico" que os óleos parcialmente hidrogenados são seguros para o uso pretendido na comida e fez uma determinação provisória que estes não são mais GRAS "sob qualquer condição de uso em alimentos" e emitiu um pedido de comentários sobre sua proposta. O FDA está previsto para remover o status de GRAS para óleos parcialmente hidrogenados e reclassificá-los como "aditivos alimentares". Ao contrário dos ingredientes GRAS, os aditivos alimentares não se presumem como seguros e, portanto, exigem aprovação pré-comercialização.

Outros componentes da oferta de alimentos, como açúcares, sal, cafeína e gordura saturada também pode ser dirigida pelo governo, utilizando gordura trans como o precedente. O FDA tem a autoridade para exigir marcação de constituintes, como açúcares e cafeína, e pode estabelecer limites seguros para uso por meio de sua autoridade para eliminar ingredientes problemáticos. Tal como no caso da gordura trans, o mecanismo legal aberto com a agência para regular um constituinte de alimentos é para remover o status de GRAS e ter o constituinte declarado como um aditivo alimentar. Por exemplo, o FDA agora concede o status de GRAS à cafeína, até ao montante normalmente adicionada a bebidas do tipo cola, mas poderia reconsiderar este limite.

Ao longo das últimas décadas, as preocupações de segurança alimentar têm se expandido a partir de questões de doenças transmitidas por alimentos e contaminantes, como o chumbo, para incluir os efeitos que os ingredientes alimentares têm sobre doenças crônicas, como doenças cardíacas. O papel legítimo do governo é de continuar a analisar os ingredientes alimentares para determinar as condições de segurança para a sua utilização. O governo tem a autoridade e a responsabilidade de regular os aspectos insalubres da oferta de alimentos, e a gordura trans artificial é provável que seja uma fronteira importante. O fato de que um braço regulador do governo dos EUA está agora a seguir o exemplo de outros países e algumas cidades e estados norte-americanos em relação à gordura trans, sugere que um divisor de águas foi atingido; a reconsideração de regulamentarem ingredientes como açúcar, cafeína e sal pode muito bem ser a próxima na ordem do dia.

REFERÊNCIA:  
BROWNELL, Kelly D.; POMERANZ, Jennifer L.. The Trans-Fat Ban — Food Regulation and Long-Term Health. The New England Journal Of Medicine, Filadélfia, v. 370, n. 19, p.1773-1775, maio 2014. Disponível em: http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMp1314072#t=article. Acesso em: 14 jul. 2014.

sábado, 21 de junho de 2014

Artigo: Índice de Massa Corporal e Circunferência Abdominal: Associação com Fatores de risco Cardiovascular

Objetivo: Determinar a associação entre índice de massa corporal (IMC) e circunferência abdominal (CA) com fatores de risco para doenças cardiovasculares.

Métodos: Estudou-se 231 servidores da Universidade Federal de Viçosa, sendo 54,1% do sexo masculino (21-76 anos). Analisou-se glicemia de jejum, colesterol total e frações, triglicérides, pressão arterial, IMC, CA, relação cintura-quadril e percentual de gordura corporal. Informações sobre tabagismo, ingestão de bebidas alcoólicas e atividade física também foram obtidas.

Resultados: As frequências de sobrepeso/obesidade foram bastante elevadas, principalmente em mulheres. A obesidade abdominal foi observada em 74% das mulheres e 46,1% dos homens. Os homens apresentaram valores médios e medianos de colesterol total, HDL, triglicérides, IMC e percentual de gordura corporal maiores do que as mulheres. O sedentarismo apresentou-se como fator de risco para obesidade e o tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas foram mais frequentes entre homens e entre eutróficos. A maioria das correlações entre índices antropométricos e fatores de risco foram significativas, entretanto apresentaram-se fracas. A CA foi o indicador antropométrico que se correlacionou mais fortemente e com maior número de variáveis. Observou-se que com o aumento do IMC e da gordura abdominal houve elevação principalmente da glicemia, dos triglicérides, da pressão arterial e redução do HDL. A frequência de síndrome metabólica foi maior no grupo sobrepeso/obesidade e em homens.

Conclusão: Neste estudo, a frequência de fatores de risco cardiovascular aumentou com aumento do IMC e CA.

REFERÊNCIA

REZENDE, Fabiane Aparecida Canaan et al. Índice de Massa Corporal e Circunferência Abdominal: Associação com Fatores de risco Cardiovascular. Arq Bras Cardiol, Viçosa, v. 87, n. 6, p.728-734, jan. 2006. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/abc/v87n6/08.pdf. Acesso em: 20 jun. 2014.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Artigo: Atividade física para prevenção e tratamento das doenças crônicas não transmissíveis e da incapacidade funcional


RESUMO:
A atividade física pode ser efetiva tanto na atenção primária quanto na secundária e terciária da saúde. Os objetivos do artigo são analisar a associação entre atividade física e prevenção ou tratamento das doenças crônicas não transmissíveis e incapacidade funcional e rever as recomendações atuais para a prática de exercícios nessas situações.

As recomendações sobre atividade física na prevenção e no tratamento de doenças crônicas abordadas no artigo e incapacidade funcional foram baseadas nos consensos e nas diretrizes mais atuais sobre o assunto, publicados pelas sociedades nacionais, como a Sociedade Brasileira de Cardiologia, Hipertensão e Diabetes, além dos órgãos internacionais como United States Department of Health and Human Services, o  American College of Sports Medicine, a American Heart Association e a Organização Mundial de Saúde.

Diversos estudos epidemiológicos mostram associação entre o aumento dos níveis de atividade física e redução da mortalidade geral e por doenças cardiovasculares em indivíduos adultos e idosos. Embora ainda não estejam totalmente compreendidos, os mecanismos que ligam a atividade física à prevenção e ao tratamento de doenças e incapacidade funcional envolvem principalmente a redução da adiposidade corporal, a queda da pressão arterial, a melhora do perfil lipídico e da sensibilidade à insulina, o aumento do gasto energético, da massa e força muscular, e da capacidade cardiorrespiratória, da flexibilidade e do equilíbrio. No entanto, a quantidade e qualidade dos exercícios necessários para a prevenção de agravos à saúde podem ser diferentes daquelas para melhorar o condicionamento físico.

De forma geral, os consensos para a prática de exercícios preventivos ou terapêuticos contemplam atividades aeróbias e resistidas, preferencialmente somadas às atividades físicas do cotidiano. Particularmente para idosos ou adultos, com co-morbidades ou limitações que afetam a capacidade de realizar atividades físicas, os consensos preconizam, além dessas atividades, a inclusão de exercícios para o desenvolvimento da flexibilidade e do equilíbrio.












REFERÊNCIA:
COELHO, Christianne de Faria; BURINI, Roberto Carlos. Atividade física para a prevenção e tratamento das doenças crônicas não transmissíveis e da capacidade funcional. Rev. Nutr., Campinas, v. 22, n. 6, p.937-946, dez. 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-52732009000600015&lng=pt&nrm=iso.


quinta-feira, 8 de maio de 2014

Artigo: Poluição atmosférica pode reduzir quantidade de proteínas nos alimentos

Estudo realizado por pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, publicado no periódico Nature Climate Change,  mostrou pela primeira vez que as mudanças climáticas podem comprometer a qualidade nutricional dos alimentos. Isso ocorre pois níveis elevados de dióxido de carbono na atmosfera prejudicam a absorção de nitrato pelas plantas, utilizado para a síntese de proteínas essenciais para o ser humano.

Segundo os especialistas, nas próximas décadas pode ocorrer uma queda de até 3% na quantidade de proteínas disponíveis para consumo. "A qualidade dos alimentos está declinando com os níveis crescentes de dióxido de carbono na atmosfera", afirma Arnold Bloom, professor do departamento de ciência das plantas e principal autor do estudo. Segundo ele, diversas explicações já foram elaboradas para essa queda de qualidade, mas o trabalho atual é o primeiro a demonstrar através de um estudo de campo que o dióxido de carbono em excesso inibe a conversão de nitrato em proteína nas plantações. Esse processo, denominado assimilação, desempenha um papel primordial no crescimento da planta. O problema é ainda maior no caso dos alimentos, uma vez que o nitrogênio é utilizado para produzir proteínas necessárias para a nutrição do homem. O trigo corresponde a cerca de um quarto de toda a proteína na dieta humana ao redor do mundo.

Estudo de campo - Para observar a resposta do trigo a diferentes níveis de dióxido de carbono na atmosfera, os pesquisadores estudaram amostras cultivadas em 1996 e 1997, nos Estados Unidos. Nessa época, ar enriquecido com dióxido de carbono foi liberado nas plantações, criando um nível elevado de carbono nos locais de teste, similar ao que se espera acontecer nas próximas décadas. Amostras de trigo para controle também foram cultivadas, sem interferência nas taxas de carbono.
Depois de colhidas, todas as amostras foram imediatamente colocadas no gelo, e depois secas no forno e armazenadas a vácuo, para minimizar mudanças nos compostos de nitrogênio ao longo do tempo. Isso permitiu que, mais de uma década depois, os autores do estudo atual realizassem um tipo de análise química que não existia na época da colheita.

De acordo com os cientistas, a quantidade total de proteínas disponíveis para consumo humano vai sofrer uma queda de 3% à medida que os níveis de dióxido de carbono na atmosfera atingirem as estimativas para as próximas décadas. Uma intensa fertilização das plantações com nitrogênio poderia compensar parcialmente essa redução, mas causaria outras consequências, como elevação dos custos, aumento da contaminação das águas por nitrato e da emissão de óxido nitroso, que colabora com o efeito estufa.


REFERÊNCIA
BLOOM, Arnold J. et al. Nitrate assimilation is inhibited by elevated CO2 in field-grown wheat. Nature Climate Change, Califórnia, 6 abr. 2014.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Artigo de revisão: Composição química de nozes e sementes comestíveis e sua relação com a nutrição e saúde

Pesquisadoras do Laboratório de Nutrição Experimental da Universidade Federal de Goiás (UFG) realizaram uma revisão sistemática publicada na Revista de Nutrição, no ano de 2010, acerca da composição em nutrientes e compostos bioativos das nozes e sementes comestíveis, e sua relação com a saúde humana. As nozes verdadeiras são frutas secas, as mais conhecidas são: amêndoa, pecã, castanha-do-pará, castanha-de-caju, pistache, avelã, macadâmia, noz e castanha. Além das nozes verdadeiras, existem muitas sementes comestíveis com características semelhantes a elas, mas com classificação botânica diferente, como o amendoim, semente comestível de uma leguminosa e a amêndoa de baru, proveniente do fruto do barueiro.

v    Perfil de aminoácido e qualidade protéica: De forma geral, proteínas de nozes e de sementes comestíveis atendem a grande parte das necessidades de aminoácidos essenciais de escolares e de indivíduos adultos, com exceção dos aminoácidos lisina, metionina e cisteína, que estão deficientes em alguns desses alimentos. Além destes, destaca-se o conteúdo de glutamina por ser considerado um aminoácido condicionalmente essencial para indivíduos catabólicos, como desnutridos, queimados, em pós-operatório, entre outros. Assim, o consumo dessas nozes e sementes comestíveis contribui para suprir as necessidades de aminoácidos essenciais e pode auxiliar na recuperação da saúde de indivíduos com grandes complicações nutricionais.

Perfil de ácidos graxos: O óleo de nozes e sementes comestíveis é composto principlamente pelos ácidos graxos oléico e linoléico. Essa composição em ácidos graxos mono e poliinsaturados é importante para a saúde, uma vez que estes contribuem para a redução das frações de LDL e VLDL, lipoproteínas responsáveis pelo aumento do colesterol sérico. O efeito benéfico do consumo de nozes e sementes comestíveis sobre o perfil sérico lipídico tem sido confirmado em diversos trabalhos. Além disso, a OMS recomenda que a relação  de ômega-6 e ômega-3 da dieta seja de 5:1 a 10:1, visto que a alta ingestão de ácido linoléico (ômega-6) associada ao baixo consumo de ácido linolênico (ômega-3), contribui para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Assim, a macadâmia possui a melhor proporção destes ácidos graxos, seguida pela noz, castanha e amêndoa de baru.

Conteúdo em minerais: As nozes e sementes comestíveis também apresentam teor considerável de diversos minerais. Destacac-se a composição em ferro, cálcio, zinco e selênio, pela importância dos dois primeiros na prevenção de carências nutricionais de relevância em saúde coletiva e pelas funções enzimáticas e reguladoras do zinco e do selênio, como parte do sistema de defesa antioxidante do organismo. Além destes minerais, é importante ressaltar o teor de potássio e a reduzida concentração de sódio nas nozer verdadeiras e sementes comestíveis, cuja composição pode favorecer o controle hidroeletrolítico e da pressão arterial, contribuindo assim para a manutenção da saúde.

Composição em esteróis: As nozes e sementes comestíveis contêm teores consideráveis de fitoesteróis, sendo o β-sitoesterol o componente principal, presente na concentração aproximada de 120mg/100g em óleo de nozes, avelã e pistache e, em média, 380mg/100g em óleo de amendoim. Os fitiesteróis apresentam estrutura química similar ao colesterol, e por isso, podem inibir sua absorção intestinal e reduzir a fração LDL e o colesterol total plasmáticos. Além desta atividade, os estudos sugerem que os fitoesteróis podem reduzir o risco de cânceres de cólon, mama e próstata. Os possíveis mecanismos de proteção apontados na literatura incluem sua ação benéfica sobre a estrutura, fluidez e funções enzimáticas das membranas celulares, estímulo à apoptose e à função imunológica celular e inibição da metástase. Ressalta-se que a interação entre os fitoesteróis e outros fitoquímicos dietéticos, com tocoferóis e demais antioxidantes naturais, tem sido associada com a redução do risco de desenvolvimento de câncer. Assim, é recomendável o consumo de alimentos que contêm quantidades significativas desses compostos, como é o caso das nozes e sementes comestíveis.

Conteúdo em tocoferóis: As nozes e sementes comestíveis também são boas fontes de vitamina E, com destaque para o α-tocoferol. A vitamina E é parte do sistema de defesa antioxidante do organismo, desempenhando diversas ações como inibição da oxidação lipídica e proteção contra o estresse oxidativo. Pode agir, ainda, como substância protetora contra alguns tipos de cânceres, como o de próstata ede esôfago. Associada ao conteúdo em tocoferóis, a composição em selênio reforça o potencial antioxidante desses alimentos.

Conteúdo em fibras: A avelã, o amendoim, a amêndoa de baru e a castanha-do-pará são boas fontes de fibras alimentares, presentes em concentração de 14% na amêndoa de baru, 10% na avelã e 5% na castanha-do-pará, com predominância de fibras insolúveis. Esses teores consideráveis de fibras insplúveis, cujo consumo está associado ao aumento do bolo fecal e à prevenção de problemas entéricos, valorizam ainda mais esses alimentos na promoção da saúde.


REFERÊNCIA:

FREITAS, Jullyana Borged; NAVES, Maria Margareth Veloso. Composição química de nozes e sementes comestíveis e sua relação com a nutrição e saúde. Rev. Nutr., Campinas, v. 23, n.2, Abr. 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-52732010000200010.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Estudo aponta que o consumo de frutas e vegetais reduz o risco de morte por diversas doenças


Estudo realizado na Inglaterra, pulicado pelo periódico Journal of Epidemiology em março de 2014, concluiu que o consumo de pelo menos 7 porções de frutas e vegetais por dia reduz cerca de 42% o risco de morrer por qualquer causa, em qualquer idade.

Introdução 
Os governos em todo o mundo recomendam o consumo diário de frutas e legumes. Foi então examinado se isso beneficia a saúde da população em geral da Inglaterra.

Métodos 
Os métodos foram de regressão de Cox foi utilizada para estimar HR e CI 95% para uma associação entre o consumo de frutas e vegetais com a mortalidade por todas as causas, incluindo câncer e doenças cardiovasculares. Houve o ajuste para idade, sexo, classe social, educação, IMC, consumo de álcool e atividade física, em 65 226 participantes com idade acima de 35 anos no período de 2001 a 2008. Foram também analisados os levantamentos da Pesquisa em Saúde da Inglaterra, pesquisa anual de amostras nacionalmente representativas aleatórias da população, e ligados a dados de mortalidade (mediana de acompanhamento: 7,7 anos).

Resultados 
Consumo de frutas e vegetais foi associado com diminuição da mortalidade por todas as causas. Esta associação foi mais pronunciada quando excluindo mortes dentro de um ano da linha de base. O consumo de frutas e vegetais foi associado com a redução de câncer e mortalidade cardiovascular. Vegetais podem ter uma associação mais forte com a mortalidade do que as frutas. O consumo de legumes ou salada foi associado com uma maior proteção, enquanto o consumo de frutas enlatadas aparentemente foi associado ao aumento da mortalidade.

Conclusões 
Existe uma associação inversa forte entre consumo de frutas e vegetais e mortalidade, com benefícios observados em 7 porções diárias. Pesquisas adicionais sobre os efeitos de diferentes tipos de frutas e legumes são indicados.


Referência:

OYEBODE, Oyinlola et al. Fruint and vegetable consumption and all-cause, cancer and CVD mortality: analysis oh Health Survey for England data. J. Epidemiol Community Health. Londres, p. 1-7. mar. 2014. Disponível em: http://jech.bmj.com/content/early/2014/03/03/jech-2013-203500.full.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Artigo: Associação do consumo de gorduras trans e doenças cardiovasculares: uma questão de saúde pública

O artigo “Associação do consumo de gorduras trans e doenças cardiovasculares: uma questão de saúde pública” publicado pela revista Acta Tecnológica, no ano de 2013, aborda um tema que já vem sendo discutido há alguns anos, a presença de gordura trans na dieta da população. Além disso, é feita uma ligação entre o consumo deste ácido graxo com a ocorrência de doenças cardiovasculares, sendo apontado como um dos fatores de risco. O artigo faz também uma compilação de dados científicos muito interessante para o maior entendimento do assunto.

RESUMO
As doenças cardiovasculares são responsáveis por mais de 1/3 das mortes no Brasil. Dentre os fatores de risco para tal patologia estão obesidade, sedentarismo, hipertensão arterial e tabagismo.

O objetivo do trabalho foi discutir a associação do consumo de gorduras trans com as doenças cardiovasculares, como um fator determinante para o desenvolvimento de políticas públicas no nosso país.

A metodologia empregada foi o estudo exploratório-descritivo e qualitativo através de pesquisa bibliográfica e da utilização de dados secundários oriundos de publicações e resultados de pesquisas específicas sobre o assunto. Foram utilizadas diversas fontes, como artigos científicos de 2001 a 2011.

Conclui-se que os ácidos graxos trans contribuem significativamente para o agravamento das doenças cardiovasculares. Torna-se necessário para a redução das doenças cardiovasculares o incentivo à prática de atividade física, e um melhor controle dos fatores de risco, contribuindo assim, para diminuir os gastos com saúde pública.

REFERÊNCIA
Nascimento, Kamila de Oliveira et al. Associação do consumo de gorduras trans e doenças cardiovasculares: uma questão de saúde pública. Acta Tecnológica, Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Maranhão, v. 8, n. 1, p.78-88, 2013. Disponível em: http://portaldeperiodicos.ifma.edu.br/portaldeperiodicos/index.php/actatecnologica/article/view/99/128.

segunda-feira, 10 de março de 2014

FDA propõe que valor energético seja apresentado em destaque nas embalagens de alimentos

O Jornal Folha de São Paulo publicou no final do mês passado uma nova proposta de rotulagem nutricional feita pela FDA (Food and Drug Administration - agência dos EUA que regula alimentos e medicamentos).

Esta proposta consiste em aumentar a fonte e colocar em destaque a quantidade de quilocalorias presentes nos alimentos embalados, ajustar o tamanho das porções, que aumentou significativamente nos últimos tempos e fazer com que a população possa refletir sobre aquilo que está consumindo, ajudando nas escolhas mais saudáveis.

Além disso, também é proposto que seja adicionada uma linha na rotulagem com o valor de açúcares adicionados no alimento, acrescentado valores de vitamina D e potássio e as porcentagens dos valores diários de referência sejam dispostas à esquerda, para facilitar a leitura e o entendimento dos consumidores.

(Fonte: site Folha de São Paulo)

Como os açúcares de adição estarão em evidência, espera-se que as indústrias alimentícias reduzam estas quantidades, assim como ocorreu quando foram acrescentadas nos rótulos as quantidades de gordura trans, em 2006.

Para especialistas em saúde pública esta medida é crucial, pois mais de um terço da população americana adulta está obesa, o que levou ao aumento do número de diabéticos e elevou os riscos do desenvolvimento de câncer, derrames cerebrais e doenças cardíacas.

Esta proposta de mudanças ficará aberta por 90 dias para comentários públicos e, se implementada, a FDA dará um prazo de dois anos para as indústrias aderirem as modificações.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Estudo aponta que consumo de oleaginosas ajudam a prolongar a vida

Artigo publicado pela revista médica The New England Journal of Medicine, acompanhou 30 mil pessoas por um período de 30 anos e constatou que com o consumo regular de oleaginosas, como nozes, amêndoas, castanhas, entre outros,  menor era a probabilidade de morte dessas pessoas durante o estudo.

Os indivíduos que consumiam oleaginosas uma vez por semana mostraram ser 11% menos propensos a morrer durante a pesquisa, consumo de até quatro porções semanais foi associado à redução de 13% do número de mortes e o consumo de um punhado de oleaginosas por dia reduziu em um quinto a taxa de mortalidade, quando comparados aos indivíduos que nunca as comiam.

Charles Fuchs, o principal responsável pela pesquisa, explicou que houve redução de 29% de mortes por doença cardíaca e redução de 11% no risco de morte por câncer e que as oleaginosas parecem colaborar na redução dos níveis de colesterol, inflamações e resistência à insulina.

A pesquisa constatou também que, em geral, pessoas que consomem oleaginosas possuem um estilo de vida mais saudável, se exercitam mais, fumam menos e são menos obesas. Este fato foi considerado durante o estudo, porém foi verificado que seria pouco provável que apenas o fator ‘estilo de vida saudável’ tenha impacto suficiente para alterar os resultados da pesquisa.

A nutricionista Victoria Taylor, da British Heart Foundation, organização não-governamental britânica que faz pesquisas e campanhas de conscientização sobre males cardíacos, apontou que mais estudos são necessários para comprovar a relação entre longevidade e consumo de oleaginosas e lembrou que estas podem ser boas substitutas para doces e chocolates, mas sempre priorizando aquelas simples, sem sal, açúcar ou coberturas.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Documentário: Sugar v Fat (Açúcar vs Gordura)

“Açúcar vs Gordura” é um documentário lançado no início de 2014 pela emissora britânica BBC que compara duas diferentes dietas, sendo uma com restrição total de carboidratos e outra com ingestão mínima de gorduras.

Estas dietas foram realizadas, respectivamente, pelos irmãos gêmeos idênticos Alexander e Chris Van Tulleken, que são médicos, por um período de um mês e com acompanhamento nutricional. Além disso, ambos se submeteram a atividades físicas semelhantes.



O objetivo desta experiência é alcançar um resultado o mais real possível dos efeitos das dietas no organismo e qual seria a mais eficaz, uma vez que, por serem gêmeos, eliminariam as influências genéticas.

Resultados:
Alexander, que se alimentou basicamente de carnes, peixes, ovos e queijos, perdeu cerca de cinco quilos. Afirmou cansar-se mais rapidamente durante as atividades físicas, além de ter perdido o fôlego e apresentar dores de cabeça. Revelou que a energia de que necessitava diariamente vinha exclusivamente de proteínas, não só das refeições, mas também de seus músculos, um dos motivos que explicaria o seu cansaço endêmico.

Chris, que se limitou a ingerir alimentos com menos de 2% de gordura, perdeu um pouco menos de cinco quilos. Relatou que nunca se sentia satisfeito e que frequentemente se via beliscando petiscos. Em exame realizado, houve aumento do nível de açúcar, que, a longo prazo, pode gerar problemas de saúde.

Apesar da perda de peso, os efeitos devastadores das dietas foram relatados por ambos os irmãos. Além dos exames de sangue feitos ao final da experiência, que também refletiram os prejuízos à saúde.

Conclusão:
O ganho de peso não está ligado exclusivamente ao consumo de gorduras ou carboidratos. Na prática, segundo os médicos gêmeos, o ganho de peso está ligado a combinação destes dois elementos, elevando a dopamina, neurotransmissor que controla a sensação de recompensa do cérebro, afetando o funcionamento do organismo.

A dica dada por Alexander e Chris é:" Evite ao máximo comidas processadas, que funcional como uma 'bomba viciante' e cujos efeitos para o corpo são devastadores.

Assim, verifica-se a importância de uma alimentação balanceada e variada, composta por diferentes grupos de alimentos e alerta-se sobre as "dietas da moda", que podem causar danos graves à saúde.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Novas regras da ANVISA de rotulagem de alimentos

Desde janeiro de 2014, os rótulos de todos os alimentos produzidos no Brasil devem estar adequados à Resolução RDC 54/2012 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que altera a forma de uso dos termos como “light”, “baixo”, “rico”, “fonte”, “não contém”, entre outros.

Um exemplo é o uso da alegação “light”, que só poderá ser utilizada para alimentos que forem reduzidos em algum nutriente quando comparado à versão convencional do alimento.

Também foram criadas oito novas alegações nutricionais e desenvolvidos critérios para alimentos sem adição de sal, isentos de gordura trans e alimentos ricos em ômega 3, ômega 6 e ômega 9.

A RDC passa a exigir o uso de esclarecimentos e advertências relacionados ao uso de uma alegação nutricional com alguns critérios, de modo a torná-los mais visíveis e legíveis nas embalagens. Um exemplo de esclarecimento já utilizado é o caso dos óleos vegetais, que alegam não apresentar colesterol. Porém, nenhum óleo vegetal possui colesterol, pois este é encontrado apenas em alimentos de origem animal. Assim, o fabricante é obrigado a adicionar a informação que o produto não apresenta colesterol, como todos os demais óleos vegetais.

O objetivo desta regulamentação é informar e ajudar o consumidor a entender as alegações presentes nos rótulos, auxiliar no consumo de alimentos industrializados de forma mais adequada às necessidades nutricionais e estimular a reformulação e desenvolvimento de produtos industrializados mais adequados nutricionalmente.



REFERÊNCIA:

BRASIL. Portal Brasil. Governo Federal. Novas regras para rotulagem de alimentos já estão valendo. 29 jan. 2014. Disponível em: http://www.brasil.gov.br/saude/2014/01/novas-regras-para-rotulagem-de-alimentos-ja-estao-valendo

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Artigo: Perfil nutricional de alimentos com alegação de zero gordura trans

A partir do conhecimento dos efeitos prejudiciais à saúde gerados pelo consumo de gordura trans, entidades governamentais sugeriram a diminuição de seu consumo e regulamentaram (link para a resolução) a presença de rotulagem nutricional, em alimentos embalados, contendo informações sobre a presença de gordura trans.

Desde então, muitas indústrias alimentícias vêm retirando ou minimizando a quantidade desses ácidos graxos trans em seus produtos e utilizando a alegação de 0% gordura trans.

O artigo “Perfil nutricional de alimentos com alegação de zero gordura trans” publicado pela Revista da Associação Médica Brasileira, em 2009, avalia a composição lipídica de alguns alimentos industrializados em que houve diminuição de gordura trans, analisando se esta medida pode garantir melhorias na composição nutricional do alimento.

RESUMO
OBJETIVO: Avaliar a composição de ácidos graxos de alguns alimentos industrializados disponíveis no mercado brasileiro nos quais houve redução da quantidade de ácidos graxos trans. Verificar também se estes alimentos atendem às quantidades recomendadas de consumo de gordura saturada, após redução de gordura trans
MÉTODOS: Alimentos industrializados (margarina cremosa A e B, margarina com fitosterol, biscoito doce recheado, biscoito salgado sem recheio, batata frita e lanche com hambúrguer de fast food multinacional com alegação de 0% de gordura trans foram adquiridos em pontos comerciais e analisados em cromatógrafo gasoso. 
RESULTADOS: Apesar da redução nas quantidades de ácidos graxos trans, os alimentos analisados contêm grandes quantidades de gorduras saturadas principalmente o ácido palmítico. Além disso, alguns dos alimentos estudados apresentam uma razão n-3/n-6 fora do recomendado para a prevenção da aterosclerose. 
CONCLUSÃO: O consumo irrestrito desses alimentos tem forte potencial deletério para a saúde. O rótulo de ausência de ácidos graxos trans deve ser visto com cuidado e não significa uma liberação para o consumo irrestrito desses alimentos.



REFERÊNCIA:

GAGLIARDI, Ana Carolina Moron; MANCINI FILHO, Jorge; SANTOS, Raul D.. Perfil nutricional de alimentos com alegação de zero gordura trans. Rev. Assoc. Med. Bras. São Paulo, vol. 55, n. 1, p. 50-53, 2009.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Histórico das mudanças no perfil de consumo de gorduras

Até 1950: Maior parte da gordura consumida é de origem animal, proveniente da banha, leite carne e manteiga.

A partir de 1950: Consumo de óleos vegetais hidrogenados que contêm gordura trans, mas com menor teor de gordura saturada. O aconselhamento nutricional de peritos da saúde avaliou inicialmente a substituição de gorduras animais por vegetais como mais saudável. Incentivo também ao consumo de gordura poli-insaturada como forma de prevenção a doenças cardiovasculares.

A partir de 1990: Questionamentos sobre os efeitos da gordura trans na saúde e a utilização de óleos vegetais hidrogenados.

A partir de 2003-2004: Produtos sem gordura trans. Crescem significativamente os investimentos em pesquisa e produção de gorduras vegetais com teor reduzido de gordura trans e gordura saturada. Margarinas, por exemplo, incorporam uma série de qualidades como vitaminas A, D e E, gorduras poliinsaturadas, redução das quantidades de gordura saturada e eliminação da gordura trans. Variações nas regulações nacionais na definição de “0% gordura trans”.
 

Fonte: DAVID, Marília Luz; GUIVANT, Julia S. A gordura trans: entre as controvérsias científicas e as estratégias da indústria alimentar. Política & Sociedade, Florianópolis, v. 11, n. 20, p. 49-74, abr. 2012.