O
artigo “Participação crescente de produtos ultraprocessados na dieta brasileira
(1987-2009)”, de agosto de 2013, da Revista Saúde Pública, traz informações da
transição alimentar que a população do Brasil sofreu entre 1987 e 2009.
RESUMO
OBJETIVO:
Estimar tendências temporais do consumo domiciliar de itens alimentícios no
Brasil, levando em conta a extensão e o propósito do seu processamento
industrial. MÉTODOS: Os dados
analisados são provenientes de Pesquisa de Orçamentos Familiares realizadas no
Brasil em 1987-1988, 1995-1996, 2002-2003 e 2008-2009. Foram analisadas
amostras probabilísticas dos domicílios das áreas metropolitanas em todos os
períodos mencionados e, nas duas amostras mais recentes, a abrangência foi
nacional. As unidades de análise foram registros de aquisições de agregados de
domicílios. Os itens alimentícios foram divididos segundo extensão e propósito
de seu processamento industrial em: alimentos in natura ou minimamente processados,
ingredientes culinários processados e produtos alimentícios prontos para
consumo, processados ou ultraprocessados. A quantidade adquirida de cada item
foi convertida em energia. Estimaram-se a disponibilidade diária total per
capita de calorias e a contribuição dos grupos de alimentos em cada pesquisa.
Calcularam-se estimativas por quintos de renda para as pesquisas nacionais.
Variações temporais foram testadas por teste de diferença de médias e modelos
de regressão linear. RESULTADOS: Houve
aumento significativo da participação de produtos prontos para o consumo (de
23,0% para 27,8% das calorias), graças ao aumento no consumo de produtos
ultraprocessados (de 20,8% para 25,4%) entre 2002-2003 e 2008-2009. Houve
redução significativa na participação de alimentos e de ingredientes culinários
nesse período. O aumento da participação de produtos ultraprocessados ocorreu
em todos os estratos de renda. Observou-se aumento uniforme da participação
calórica de produtos prontos para o consumo em áreas metropolitanas, novamente à
custa de produtos ultraprocessados e acompanhada por reduções na participação
de alimentos in natura ou minimamente processados quanto de ingredientes
culinários. CONCLUSÕES: Produtos
ultraprocessados apresentam participação crescente na dieta brasileira,
evidenciada desde a década de 1980 nas áreas metropolitanas e confirmada para
todo o País na década de 2000.
REFERÊNCIA:
MARTINS,
Ana Paula Bortoletto. Participação
crescente de produtos ultraprocessados na dieta brasileira (1987-2009). Revista Saúde Pública, São Paulo, v.
47, n. 4, p. 656-65, ago. 2013.
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