sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

FDA propõe banir gordura trans presente em produtos industrializados

Notícia do Jornal Estadão de 07 de novembro de 2013- Fabiana Cambricoli

'Um anúncio feito nesta quinta-feira pela FDA (Food and Drugs Administration), agência americana que regulamenta medicamentos e alimentos nos EUA, poderá levar à proibição da gordura trans naquele país. Presente em produtos industrializados como bolos e pães, o óleo hidrogenado, origem da gordura trans, foi classificado pelo órgão como "não seguro" para o uso na fabricação de alimentos. 


Segundo a agência, a constatação foi feita com base em evidências científicas que mostram que o consumo de gordura trans aumenta o risco de doenças cardíacas. Antes de declarar sua posição final, a FDA ouvirá a indústria e consumidores. A consulta será feita em 60 dias. Se o composto for declarado, em definitivo, como inseguro, passará a ser proibido.

Segundo o órgão, uma futura redução da gordura trans na alimentação dos americanos poderia evitar 7 mil mortes e 20 mil enfartes por ano no País.

Procurada, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) disse que não comentaria o anúncio da FDA e informou que não há proposta para proibir o composto no Brasil. Disse, no entanto, que o Ministério da Saúde vem firmando uma série de acordos com a indústria alimentícia para a redução do teor de substâncias prejudiciais, como sódio, açúcar e alguns tipos de gordura. Tais acordos, porém, não têm força de lei. A adesão é facultativa.

Impacto positivo. Segundo Raul Dias dos Santos, professor da Faculdade de Medicina da USP e diretor da Unidade de Lípides do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (Incor), estudos já mostraram que a gordura trans é a que traz mais prejuízos à saúde e sua proibição seria positiva. Ele afirma, porém, que é preciso ter cautela em relação às substâncias que a substituiriam.
"Estudos já mostraram que a trans aumenta o colesterol ruim e diminui o bom, provoca inflamação do sangue e favorece o acúmulo de gordura na região abdominal. O problema é o que vai ser colocado no lugar dela. Geralmente, são gorduras saturadas, que também aumentam os níveis de colesterol ruim", disse Santos.'






Link para reportagem original:
http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,eua-estudam-banir-gordura-trans-dos-alimentos,1094344,0.htm

Mais informações no site oficial do FDA: http://www.fda.gov/forconsumers/consumerupdates/ucm372915.htm

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A diferença entre os alimentos Light e Diet

Os produtos alimentícios light tem redução na sua composição de, no mínimo, 25% do valor calórico e de nutrientes se comparado à versão tradicional. Desta forma, reduz-se algum componente do alimento (nem sempre as gorduras, como a mídia muitas vezes leva à população a pensar), porém, é comum que se aumenta o teor de sódio – o que desmitifica o alimento light como obrigatoriamente a opção mais saudável dentro do mercado. Já o termo diet refere-se à diminuição/retirada de componentes para auxiliar na dieta de ingestão controlada de açúcar – geralmente voltada aos diabéticos. Essa diferença entre light e diet é essencial para que as pessoas façam escolhas adequadas às suas necessidades alimentares.



No artigo "Conhecimento e consumo dos produtos dietlight e a compreensão dos rótulos alimentares por consumidores de um supermercado do município de Caxias do Sul, RS - Brasil", publicado em agosto de 2013 na Nutrire, verificou-se o consumo dos produtos diet e light, se os consumidores estão consumindo de forma correta esses produtos e se há entendimento em relação aos rótulos alimentares. Foi aplicado um questionário com questões objetivas para identificar o conhecimento e o entendimento dos produtos diet e light, e dos rótulos alimentares, para 150 pessoas em um mercado. Então, observou-se que a população consome mais produtos light (40,7%) do que diet (24,7%), e que 38,7% dos pesquisados responderam corretamente o conceito light; quanto ao conceito diet, 56% responderam de forma errada. Além disso, foi visto que há falta de entendimento em relação ao conhecimento desses produtos e quanto à compreensão dos rótulos alimentares, o conhecimento foi parcial e os entrevistados consideram que as informações nutricionais apresentadas não são claras.


NUNES, Sheron Torresan; GALLON, Carin Weirich. Conhecimento e consumo dos produtos dietlight e a compreensão dos rótulos alimentares por consumidores de um supermercado do município de Caxias do Sul, RS – Brasil. Nutrire: rev. Soc. Bras. Alim., São Paulo, v. 38, n. 2, p. 156-171, ago. 2013.
Link para o artigo original


* Escrito pelo bolsista do projeto "Avaliação do consumo de gordura trans e risco de doenças cardiovasculares em indivíduos que buscam o Ambulatório de Nutrição no SASC – HU – UFSC".

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Artigo: Relação entre porção, medida caseira e presença de gordura trans em rótulos de produtos alimentícios

Gostaríamos de divulgar o recém-lançado artigo "Relação entre porção, medida caseira e  presença de gordura trans em rótulos de  produtos alimentícios", que conta com a colaboração de graduandos, mestrandos e professores do curso de Nutrição, e traz um esclarecedor texto sobre a a presença da gordura trans na rotulagem de produtos alimentares.

Resumo
Este estudo teve como objetivo analisar a relação entre a presença de gordura trans e as informações sobre porção e medida caseira declaradas em rótulos de produtos alimentícios processados e ultraprocessados. Foram analisadas as informações nutricionais presentes em rótulos de produtos alimentícios comercializados em um supermercado de Florianópolis-SC, Brasil. A presença de gordura trans foi avaliada na informação nutricional e verificada pela citação de componentes com gordura trans na lista de ingredientes, sendo calculada a prevalência de falsos negativos. Estimaram-se as prevalências de alimentos com gordura trans e falsos negativos, bem como foi analisada a associação entre o fracionamento da medida caseira, a presença de gordura trans e o tamanho da porção pelo teste qui-Quadrado, considerando um valor-p < 0,05 como indicativo de significância estatística. Os resultados mostraram que metade dos 1855 alimentos analisados apresentou gordura trans na lista de ingredientes. O percentual de falsos negativos foi de 32,8%. Observou-se maior prevalência do fracionamento da medida caseira nos alimentos com gordura trans na lista de ingredientes e nos falsos negativos, especialmente entre alimentos com tamanho de porção adequada ou < 70% do tamanho recomendado pela legislação brasileira. Os resultados indicam que tamanhos de porções muito pequenas e fracionamento de medidas caseiras podem estar sendo utilizados para não destacar a presença de gordura trans na informação nutricional. Percebe-se a necessidade de reformulação na legislação brasileira considerando a recomendação de eliminação da gordura trans para o aprimoramento das informações sobre porção e medida caseira nos rótulos de produtos alimentícios processados e ultraprocessados.

Palavras-chave: Ácidos Graxos. Rotulagem Nutricional. Informação Nutricional. Alimentos Industrializados.




MACHADO, Priscila Pereira; KRAEMER, Mariana Vieira dos Santos, KLIEMANN, Nathalie; GONZÁLEZ-CHICA, David Alejandro; PROEN, Rossana Pacheco da Costa.
Relação entre porção, medida caseira e  presença de gordura trans em rótulos de  produtos alimentícios.

Disponível em: http://www.saocamilo-sp.br/pdf/mundo_saude/106/1826.pdf

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Divulgação: Exibição e debate do filme "Muito Além do Peso"


Artigo – Gorduras na Dieta e Saúde: Recomendações dietéticas no Contexto da Evidência Científica

Glen D. Lawrence, do Departamento de Química e Bioquímica da Universidade de Long Island, Brooklyn, Nova York (EUA), lançou o artigo “Gorduras na Dieta e Saúde: Recomendações dietéticas no Contexto da Evidência Científica” (Dietary Fats and Health: Dietary Recommendations in the Context of Scientific Evidence) na revista internacional Advances in Nutrition, em maio de 2013.

O artigo revela que embora os primeiros estudos mostrassem que as dietas ricas em gordura saturada com níveis muito baixos de ácidos graxos poliinsaturados causassem o aumento do colesterol sérico, e que outros revelaram que os níveis altos de colesterol sérico aumentam o risco de doença arterial coronariana, a evidência de que as gorduras saturadas na dieta aumentassem o risco de doença arterial coronária ou que causassem morte prematura foi fraco. Ao longo dos anos, os dados revelaram que os ácidos graxos saturados da dieta não estão associados com o risco de doença arterial coronariana e outros efeitos adversos para a saúde, ou na pior das hipóteses são fracamente associada em algumas análises quando outros fatores que contribuem podem ser negligenciados. Foram encontrados vários estudos recentes que indicam que os ácidos graxos saturados, particularmente em produtos lácteos e óleo de coco, podem melhorar a saúde.

Verificou-se que a substituição de gorduras saturadas na dieta por carboidratos, especialmente os açúcares, resultou no aumento da obesidade e suas complicações associadas de saúde. Foram propostos mecanismos bem estabelecidos para os efeitos adversos à saúde de algumas alternativas ou substituição de nutrientes, como carboidratos simples e ácidos graxos poliinsaturados. O foco em uma dieta que objetive apenas o controle do colesterol pode ser discutível tendo em conta que há vários outros fatores que aumentam o risco de doença cardíaca - não somente o colesterol LDL. Concluiu-se que os efeitos adversos para a saúde que têm sido associados com as gorduras saturadas no passado são provavelmente devido a diferentes fatores do que somente à ingestão de ácidos graxos saturados. 



LAWRENCE, Glen D. Dietary Fats and Health: Dietary Recommendations in the Context of Scientific Evidence. Advances in Nutrition, EUA, v.4, n.3, p.294-302, 2013.

Disponível em: http://advances.nutrition.org/content/4/3/294.abstract

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Folder: Interpretação de rotulagem nutricional relacionado à presença de gordura trans nos alimentos industrializados

Este folder foi desenvolvido pelos bolsistas visando a promoção da alimentação saudável e livre de gordura trans das pessoas que procuram atendimento no SASC-HU-UFSC e à comunidade em geral.



REFERÊNCIAS:

ANVISA. FAQ - Sistema de Perguntas e Respostas. Brasília: ANVISA. Disponível em: . Acesso: 10 out. 2013.

ANVISA. Gordura Trans. Brasília: ANVISA, 2011. Disponível em: . Acesso: 05 out. 2013.

ANVISA. Rotulagem Nutricional Obrigatória  Manual de Orientação aos Consumidores  Educação para o Consumo Saudável. Brasília: ANVISA, 2001. Disponível em: . Acesso: 10 out. 2013.

COSTA, André Gustavo Vasconcelos; BRESSAN, Josefina; SABARENSE, Céphora Maria; MARTIN, Clayton Antunes et al. Ácidos Graxos Trans: Alimentos e Efeitos na Saúde. Archivos Latinoamericanos de Nutrición, Caracas, v. 56, n. 1, p.12-21, mar. 2006.

FOOD AND DRUGS ADMINSTRATION (FDA). Talking about trans fat: what you need to know. U.S.A.: FDA, 2013. Disponível em: . Acesso em: 03 out. 2013.

MERÇON, Fábio. O que é uma gordura trans? Revista Química Nova na Escola, Rio de Janeiro, v. 32, n. 2, p. 78-83, maio 2010.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Gordura Trans


As gorduras são formadas por moléculas chamadas de triacilgliceróis - provenientes do glicerol e de três moléculas de ácidos graxos, que podem ser saturados ou insaturados. Devido a uma insaturação entre átomos de carbono, os ácidos graxos podem ter a formação de dois isômeros geométricos, um cis e o outro trans. Os ácidos graxos cis ocorrem predominantemente na natureza, enquanto que a formação dos ácidos graxos trans geralmente acontece no processo de hidrogenação parcial de óleos vegetais. Desta forma, o termo gordura trans provém da presença de insaturações trans nas moléculas de ácidos graxos dos triacilgliceróis presentes na composição da gordura (MERÇON, 2010).



Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), a gordura trans é um tipo específico de gordura formada por um processo de hidrogenação natural ou industrial, estando presente principalmente em alimentos industrializados (ANVISA, 2011).

A gordura trans sempre esteve presente na alimentação humana por meio do consumo de carnes, leite e seus derivados - fontes naturais de gordura trans por serem obtidos de animais ruminantes (sub-ordem dos mamíferos que abrange os bovinos) em que ocorre o processo de biohidrogenação, no qual ácidos graxos cis ingeridos são parcialmente hidrogenados por sistemas enzimáticos da flora microbiana que estão no rúmen (MERÇON, 2010).

Porém, durante o século XX, a produção de gordura vegetal hidrogenada teve sua produção aumentada devido a seu baixo custo e por acreditarem que seria um alimento substituto da manteiga e as gorduras animais - que na época eram vistas como vilãs para a saúde (COSTA et al. , 2006). Sendo assim, a hidrogenação parcial de óleos vegetais utilizados na fabricação de margarina e gordura hidrogenada se caracteriza como a principal fonte de gordura trans (MERÇON, 2010).

De acordo com o Food and Drugs Adminstration (FDA, 2013), agência regulamentadora de alimentos e fármacos nos Estados Unidos, atualmente a gordura trans pode ser encontrada em muitos alimentos que também está presente a gordura saturada, sendo estes as bolachas crocantes (crackers), cookies, bolos, tortas congeladas, lanches prontos (preparações congeladas e pipoca de micro-ondas), fast food, margarina, entre outros. Já a ANVISA (2011) lista que os alimentos mais ricos em gordura trans são os industrializados, como sorvetes, batatas-fritas, salgadinhos de pacote, pastelarias, bolos, biscoitos, entre outros - bem como as gorduras hidrogenadas e margarinas.

- Escrito por bolsista do projeto "Avaliação do consumo de gordura trans e risco de doenças cardiovasculares em indivíduos que buscam o Ambulatório de Nutrição no SASC – HU – UFSC".



REFERÊNCIAS:

ANVISA. Gordura Trans. Brasília: ANVISA, 2011. Disponível em: . Acesso: 05 out. 2013.

COSTA, André Gustavo Vasconcelos; BRESSAN, Josefina; SABARENSE, Céphora Maria. MARTIN, Clayton Antunes et al. Ácidos Graxos Trans: Alimentos e Efeitos na Saúde. Archivos Latinoamericanos de Nutrición, Caracas, v. 56, n. 1, p.12-21, mar. 2006.

FOOD AND DRUGS ADMINSTRATION (FDA). Talking about trans fat: what you need to know.
U.S.A.: FDA, 2013. Disponível em: . Acesso em: 03 out. 2013


MERÇON, Fábio. O que é uma gordura trans? Revista Química Nova na Escola, Rio de Janeiro, v. 32, n. 2, p. 78-83, maio 2010.

domingo, 6 de outubro de 2013

Extensão Nutri NIPEAD - SASC - HU – UFSC

O blog Extensão Nutri é um trabalho conjunto entre professores e alunos bolsistas que desenvolvem ações relacionadas aos projetos de extensão coordenados pela Professora Jussara Gazzola do Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).


O propósito do blog é servir como uma plataforma de informações sobre os temas relacionados à alimentação saudável e livre de gordura trans, além de ser um espaço de divulgação das atividades desenvolvidas e ligadas ao Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa, Extensão e Atendimento à Dislipidemia (NIPEAD), junto ao Serviço de Atendimento à Saúde da Comunidade Universitária (SASC) - HU - UFSC.

Sintam-se à vontade para opinar, sugerir temas ou tirar dúvidas por meio da seção de comentários ou do e-mail nipead.extensaonutri@gmail.com.