domingo, 25 de outubro de 2015

Óleo de coco

O coco e o óleo de coco (Coco nucifera) são importantes fontes naturais de gorduras saturadas, especialmente de ácido láurico (C12:0). O óleo, em geral, é extraído a frio a partir da massa do coco.

Sabe-se que o nível de saturação determina a consistência da gordura em temperatura ambiente. Quanto maior o grau de saturação, mais dura a gordura será. No entanto, o óleo de coco é uma exceção, pois apesar de ser altamente saturado, é líquido, devido à predominância de ácidos graxos de cadeia média (AGCM), que correspondem a 70-80% de sua composição.

Os AGCM são rapidamente absorvidos no intestino, mesmo sem sofrer ação da enzima lipase pancreática. Já os ácidos graxos de cadeia longa (AGCL) necessitam da lipase pancreática para a absorção e são transportados pela linfa para a circulação sistêmica na forma de quilomícrons, para depois atingir o fígado, onde eles passam por beta-oxidação, biossíntese de colesterol, ou são resintetizados como triglicerídeos. Os AGCM são transportados pela veia porta para o fígado, onde são rapidamente oxidados, gerando energia. Ao contrário dos AGCL, os AGCM não participam do ciclo de colesterol.

Não se sabe se a substituição de óleos como azeite, soja, milho e canola por gordura saturada, principal fonte de gordura do óleo de coco, poderá ser benéfica, pois a gordura saturada está associada à elevação do colesterol total. Além disso, em relação aos demais tipos de gorduras saturadas, o ácido láurico apresenta maior poder em elevar o LDL-C e HDL-C.

Diversos estudos têm encontrado forte associação da ingestão de gordura trans e saturada com a síntese de biomarcadores inflamatórios em comparação a ácidos graxos poli-insaturados. O alto consumo de ácidos graxos saturados relaciona-se à lipotoxicidade de diversos órgãos e pode aumentar o risco para DCV.

Assim, o posicionamento oficial da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) sobre o uso do óleo de coco para perda de peso é a seguinte:


"Considerando que muitos nutricionistas e médicos estão prescrevendo óleo de coco para pacientes que querem emagrecer, alegando sua eficácia para tal propósito; Considerando que não há qualquer evidência nem mecanismo fisiológico de que o óleo de coco leve à perda de peso; 
Considerando que o uso do óleo de coco pode ser deletério para os pacientes devido à sua elevada concentração de ácidos graxos saturados, como ácido láurico e mirístico; A SBEM e a ABESO posicionam-se frontalmente contra a utilização terapêutica do óleo de coco com a finalidade de emagrecimento, considerando tal conduta não ter evidências científicas de eficácia e apresentar potenciais riscos para a saúde. 
A SBEM e a ABESO também não recomendam o uso regular de óleo de coco como óleo de cozinha, devido ao seu alto teor de gorduras saturadas e pró- inflamatórias. O uso de óleos vegetais com maior teor de gorduras insaturadas (como soja, oliva, canola e linhaça) com moderação, é preferível para redução de risco cardiovascular."


Referências:

LOTTENBERG,  A. M. P. Importância da gordura alimentar na prevenção e no controle de distúrbios metabólicos e da doença cardiovascular. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, São Paulo, v. 53, n. 5, p.595-607, jul. 2009. Disponível em: . Acesso em: 18 out. 2015.
RODRIGUES, A. Óleo de Coco – Milagre para emagrecer ou Mais um Modismo? Abeso, São Paulo, p.5-7, abr. 2012.
SANTOS, R. D. et al. Sociedade Brasileira de Cardiologia. I Diretriz sobre o Consumo de Gorduras e Saúde Cardiovascular. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, Rio de Janeiro, v. 100, n. 1, p.1-40, jan. 2013.

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