sexta-feira, 25 de abril de 2014

Artigo de revisão: Composição química de nozes e sementes comestíveis e sua relação com a nutrição e saúde

Pesquisadoras do Laboratório de Nutrição Experimental da Universidade Federal de Goiás (UFG) realizaram uma revisão sistemática publicada na Revista de Nutrição, no ano de 2010, acerca da composição em nutrientes e compostos bioativos das nozes e sementes comestíveis, e sua relação com a saúde humana. As nozes verdadeiras são frutas secas, as mais conhecidas são: amêndoa, pecã, castanha-do-pará, castanha-de-caju, pistache, avelã, macadâmia, noz e castanha. Além das nozes verdadeiras, existem muitas sementes comestíveis com características semelhantes a elas, mas com classificação botânica diferente, como o amendoim, semente comestível de uma leguminosa e a amêndoa de baru, proveniente do fruto do barueiro.

v    Perfil de aminoácido e qualidade protéica: De forma geral, proteínas de nozes e de sementes comestíveis atendem a grande parte das necessidades de aminoácidos essenciais de escolares e de indivíduos adultos, com exceção dos aminoácidos lisina, metionina e cisteína, que estão deficientes em alguns desses alimentos. Além destes, destaca-se o conteúdo de glutamina por ser considerado um aminoácido condicionalmente essencial para indivíduos catabólicos, como desnutridos, queimados, em pós-operatório, entre outros. Assim, o consumo dessas nozes e sementes comestíveis contribui para suprir as necessidades de aminoácidos essenciais e pode auxiliar na recuperação da saúde de indivíduos com grandes complicações nutricionais.

Perfil de ácidos graxos: O óleo de nozes e sementes comestíveis é composto principlamente pelos ácidos graxos oléico e linoléico. Essa composição em ácidos graxos mono e poliinsaturados é importante para a saúde, uma vez que estes contribuem para a redução das frações de LDL e VLDL, lipoproteínas responsáveis pelo aumento do colesterol sérico. O efeito benéfico do consumo de nozes e sementes comestíveis sobre o perfil sérico lipídico tem sido confirmado em diversos trabalhos. Além disso, a OMS recomenda que a relação  de ômega-6 e ômega-3 da dieta seja de 5:1 a 10:1, visto que a alta ingestão de ácido linoléico (ômega-6) associada ao baixo consumo de ácido linolênico (ômega-3), contribui para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Assim, a macadâmia possui a melhor proporção destes ácidos graxos, seguida pela noz, castanha e amêndoa de baru.

Conteúdo em minerais: As nozes e sementes comestíveis também apresentam teor considerável de diversos minerais. Destacac-se a composição em ferro, cálcio, zinco e selênio, pela importância dos dois primeiros na prevenção de carências nutricionais de relevância em saúde coletiva e pelas funções enzimáticas e reguladoras do zinco e do selênio, como parte do sistema de defesa antioxidante do organismo. Além destes minerais, é importante ressaltar o teor de potássio e a reduzida concentração de sódio nas nozer verdadeiras e sementes comestíveis, cuja composição pode favorecer o controle hidroeletrolítico e da pressão arterial, contribuindo assim para a manutenção da saúde.

Composição em esteróis: As nozes e sementes comestíveis contêm teores consideráveis de fitoesteróis, sendo o β-sitoesterol o componente principal, presente na concentração aproximada de 120mg/100g em óleo de nozes, avelã e pistache e, em média, 380mg/100g em óleo de amendoim. Os fitiesteróis apresentam estrutura química similar ao colesterol, e por isso, podem inibir sua absorção intestinal e reduzir a fração LDL e o colesterol total plasmáticos. Além desta atividade, os estudos sugerem que os fitoesteróis podem reduzir o risco de cânceres de cólon, mama e próstata. Os possíveis mecanismos de proteção apontados na literatura incluem sua ação benéfica sobre a estrutura, fluidez e funções enzimáticas das membranas celulares, estímulo à apoptose e à função imunológica celular e inibição da metástase. Ressalta-se que a interação entre os fitoesteróis e outros fitoquímicos dietéticos, com tocoferóis e demais antioxidantes naturais, tem sido associada com a redução do risco de desenvolvimento de câncer. Assim, é recomendável o consumo de alimentos que contêm quantidades significativas desses compostos, como é o caso das nozes e sementes comestíveis.

Conteúdo em tocoferóis: As nozes e sementes comestíveis também são boas fontes de vitamina E, com destaque para o α-tocoferol. A vitamina E é parte do sistema de defesa antioxidante do organismo, desempenhando diversas ações como inibição da oxidação lipídica e proteção contra o estresse oxidativo. Pode agir, ainda, como substância protetora contra alguns tipos de cânceres, como o de próstata ede esôfago. Associada ao conteúdo em tocoferóis, a composição em selênio reforça o potencial antioxidante desses alimentos.

Conteúdo em fibras: A avelã, o amendoim, a amêndoa de baru e a castanha-do-pará são boas fontes de fibras alimentares, presentes em concentração de 14% na amêndoa de baru, 10% na avelã e 5% na castanha-do-pará, com predominância de fibras insolúveis. Esses teores consideráveis de fibras insplúveis, cujo consumo está associado ao aumento do bolo fecal e à prevenção de problemas entéricos, valorizam ainda mais esses alimentos na promoção da saúde.


REFERÊNCIA:

FREITAS, Jullyana Borged; NAVES, Maria Margareth Veloso. Composição química de nozes e sementes comestíveis e sua relação com a nutrição e saúde. Rev. Nutr., Campinas, v. 23, n.2, Abr. 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-52732010000200010.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Estudo aponta que o consumo de frutas e vegetais reduz o risco de morte por diversas doenças


Estudo realizado na Inglaterra, pulicado pelo periódico Journal of Epidemiology em março de 2014, concluiu que o consumo de pelo menos 7 porções de frutas e vegetais por dia reduz cerca de 42% o risco de morrer por qualquer causa, em qualquer idade.

Introdução 
Os governos em todo o mundo recomendam o consumo diário de frutas e legumes. Foi então examinado se isso beneficia a saúde da população em geral da Inglaterra.

Métodos 
Os métodos foram de regressão de Cox foi utilizada para estimar HR e CI 95% para uma associação entre o consumo de frutas e vegetais com a mortalidade por todas as causas, incluindo câncer e doenças cardiovasculares. Houve o ajuste para idade, sexo, classe social, educação, IMC, consumo de álcool e atividade física, em 65 226 participantes com idade acima de 35 anos no período de 2001 a 2008. Foram também analisados os levantamentos da Pesquisa em Saúde da Inglaterra, pesquisa anual de amostras nacionalmente representativas aleatórias da população, e ligados a dados de mortalidade (mediana de acompanhamento: 7,7 anos).

Resultados 
Consumo de frutas e vegetais foi associado com diminuição da mortalidade por todas as causas. Esta associação foi mais pronunciada quando excluindo mortes dentro de um ano da linha de base. O consumo de frutas e vegetais foi associado com a redução de câncer e mortalidade cardiovascular. Vegetais podem ter uma associação mais forte com a mortalidade do que as frutas. O consumo de legumes ou salada foi associado com uma maior proteção, enquanto o consumo de frutas enlatadas aparentemente foi associado ao aumento da mortalidade.

Conclusões 
Existe uma associação inversa forte entre consumo de frutas e vegetais e mortalidade, com benefícios observados em 7 porções diárias. Pesquisas adicionais sobre os efeitos de diferentes tipos de frutas e legumes são indicados.


Referência:

OYEBODE, Oyinlola et al. Fruint and vegetable consumption and all-cause, cancer and CVD mortality: analysis oh Health Survey for England data. J. Epidemiol Community Health. Londres, p. 1-7. mar. 2014. Disponível em: http://jech.bmj.com/content/early/2014/03/03/jech-2013-203500.full.