A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou a Semana Mundial pela Conscientização do Sódio, de 16 a 22 de março, convocando a indústria de alimentos a reduzir o teor de sódio em seus produtos, principalmente entre os mais consumidos pelas crianças. Além disso, orientou a restrição da publicidade de alimentos voltados para o público infantil com elevados teores de sódio.
Durante a semana, a OMS também alertou às famílias sobre o sódio escondido nos alimentos industrializados, incentivando o preparo de alimentos em casa e com ingredientes frescos.
Segundo Branka Legetic, Consultora da Opas/OMS para Doenças Crônicas não-transmissíveis, " a maioria de nós sequer sabe o quanto de sódio consome, isto porque a maior parte do sódio está escondida em alimentos processados, prontos para o consumo. Para mudar este cenário, parte da solução deve partir da indústria produtora de alimentos, que deve reduzir o sódio nos seus produtos".
O sódio está presente em praticamente todos os aditivos químicos utilizados pela indústria de alimentos, o que eleva a preferência da população por alimentos salgados e mais condimentados. Assim, o consumo de sal aumentou muito nas últimas décadas, ultrapassando as recomendações da OMS de, no máximo, 5 g por dia, o equivalente a 1 colher de chá.
Os hábitos alimentares praticados na infância terão um forte impacto sobre o padrão de consumo alimentar quando adultos. O alto consumo de sal, mesmo durante a infância, tem um efeito sobre a pressão arterial e pode predispor as crianças a doenças como Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), osteoporose, asma e outras doenças respiratórias, diabetes mellitus, obesidade e dislipidemia, sendo fator de risco para o aparecimento de doenças cardiovasculares.
Em 2011, o Ministério da Saúde assinou um termo de compromisso com a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA), estabelecendo um plano de redução gradual na quantidade de sódio presente em 16 alimentos como pão de forma, massas instantâneas, bolos prontos, salgadinhos de milho, batata frita, caldos e temperos prontos, entre outros. Em 2014, o Ministério da Saúde informou que nos dois primeiros anos do acordo os fabricantes reduziram quase 11% do sódio usado nas misturas para o pão de forma e bisnaguinha e em 15% o utilizado em massas instantâneas.
Adultos que consomem diariamente mais de 5 g de sal estão mais propensos a desenvolver HAS, o principal fator de risco para doenças cardiovasculares, bem como doença renal. As diretrizes oficiais da OMS recomendam que estes limites sejam ajustados para baixo quando consideradas as crianças e adolescentes, que geralmente consomem menos calorias diárias do que os adultos.
FONTE: Fundação Oswaldo Cruz. 2015. Disponível em
