domingo, 29 de março de 2015

Organização Mundial da Saúde conscientiza a população sobre o consumo de sódio

A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou a Semana Mundial pela Conscientização do Sódio, de  16 a 22 de março, convocando a indústria de alimentos a reduzir o teor de sódio em seus produtos, principalmente entre os mais consumidos pelas crianças. Além disso, orientou a restrição da publicidade de alimentos voltados para o público infantil com elevados teores de sódio.
Durante a semana, a OMS também alertou às famílias sobre o sódio escondido nos alimentos industrializados, incentivando o preparo de alimentos em casa e com ingredientes frescos. 

Segundo Branka Legetic, Consultora da Opas/OMS para Doenças Crônicas não-transmissíveis, " a maioria de nós sequer sabe o quanto de sódio consome, isto porque a maior parte do sódio está escondida em alimentos processados, prontos para o consumo. Para mudar este cenário, parte da solução deve partir da indústria produtora de alimentos, que deve reduzir o sódio nos seus produtos". 

O sódio está presente em praticamente todos os aditivos químicos utilizados pela indústria de alimentos, o que eleva a preferência da população por alimentos salgados e mais condimentados. Assim, o consumo de sal aumentou muito nas últimas décadas, ultrapassando as recomendações da OMS de, no máximo, 5 g por dia, o equivalente a 1 colher de chá.

Os hábitos alimentares praticados na infância terão um forte impacto sobre o padrão de consumo alimentar quando adultos. O alto consumo de sal, mesmo durante a infância, tem um efeito sobre a pressão arterial e pode predispor as crianças a doenças como Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), osteoporose, asma e outras doenças respiratórias, diabetes mellitus, obesidade e dislipidemia, sendo fator de risco para o aparecimento de doenças cardiovasculares.
Em 2011, o Ministério da Saúde assinou um termo de compromisso com a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA), estabelecendo um plano de redução gradual na quantidade de sódio presente em 16 alimentos como pão de forma, massas instantâneas, bolos prontos, salgadinhos de milho, batata frita, caldos e temperos prontos, entre outros. Em 2014, o Ministério da Saúde informou que nos dois primeiros anos do acordo os fabricantes reduziram quase 11% do sódio usado nas misturas para o pão de forma e bisnaguinha e em 15% o utilizado em massas instantâneas.

Adultos que consomem diariamente mais de 5 g de sal estão mais propensos a desenvolver HAS, o principal fator de risco para doenças cardiovasculares, bem como doença renal. As diretrizes oficiais da OMS recomendam que estes limites sejam ajustados para baixo quando consideradas as crianças e adolescentes, que geralmente consomem menos calorias diárias do que os adultos.


FONTE: Fundação Oswaldo Cruz. 2015. Disponível em Acesso em: 29 mar. 2015

domingo, 15 de março de 2015

Amamentação exclusiva nos primeiros meses de vida cria microbiota intestinal que facilita digestão de alimentos sólidos



Logo após o nascimento, inicia-se o contato entre o entre o bebê e os bilhões de microrganismos que irão colonizar o seu trato gastrointestinal e, no futuro, atuar na digestão de alimentos. Estudo publicado na revista “Frontiers in Microbiology Cellular and Infection”, pesquisadores da Universidade da Carolina do Nort (EUA), descobriram que a alimentação dos bebês nos primeiros meses de vida tem profunda influência sobre a composição, diversidade e estabilidade da microbiota intestinal. Esses fatores, por sua vez, atuam na capacidade do organismo de efetuar a transição do leite para alimentos sólidos.

Segundo o estudo, bebês que se alimentam exclusivamente de leite materno nos primeiros meses após o nascimento têm muito mais facilidade de digerir alimentos sólidos mais adiante. A descoberta aumenta a percepção crescente de que a microbiota intestinal desempenha um papel importante para a digestão dos alimentos e combate a patógenos, entre outras funções. Pôde-se ver a partir dos dados que a inclusão da fórmula na alimentação de uma criança muda as bactérias do intestino, mesmo se você também estiver amamentando. 

De acordo com a ginecologista e obstetra Wanessa Rezende, o leite materno tem enzimas que já são conhecidas da criança desde que ela está na barriga da mãe. Assim, quase todos os nutrientes do alimento são aproveitados pelo bebê. Diferente do leite animal, o materno é constituído por mais globulinas, que são proteínas de digestão mais fácil, do que caseínas (proteínas de difícil digestão). Assim, o leite materno vai fermentar menos, e a flora intestinal ficará mais preservada. Isso pode favorecer a introdução de outros alimentos.

No estudo, a equipe de pesquisadores coletou amostras de fezes e informações sobre a alimentação e saúde de bebês desde duas semanas de vida até 14 meses. Aplicando técnicas de sequenciamento de genomas em amostras de fezes, os cientistas deduziram os tipos e as funções das bactérias na microbiota do intestino dos bebês.

O que surpreendeu foram as diferenças genéticas drásticas em amostras de fezes colhidas depois que os bebês começaram a comer alimentos sólidos. Os pesquisadores descobriram diferentes quantidades de cerca de 20 enzimas bacterianas em bebês exclusivamente alimentados com leite materno, contra 230 enzimas em bebês alimentados com fórmula e leite materno. A microbiota de bebês alimentados exclusivamente com leite materno tendia a ser menos diversificada e foram dominados pela Bifidobacterium, um tipo de bactéria considerada benéfica para a digestão. Já aqueles alimentados com uma mistura de leite materno e fórmula tinham uma proporção menor do gênero.

O estudo sugere, ainda, que a composição da microbiota pode afetar a capacidade de um bebê para digerir os alimentos no curto prazo e influenciar a saúde a longo prazo. Os bebês que forem amamentados poderão ter menos riscos de síndrome metabólica, diabetes, obesidade e doença celíaca, causada pela intolerância ao glúten.

O Ministério da Saúde (MS) recomenda que, até os seis meses de vida, o bebê seja alimentado exclusivamente com leite materno para ter um crescimento forte e um desenvolvimento saudável. A amamentação é também reconhecida pelo MS como o primeiro direito da criança após o nascimento, que a recomenda até os dois anos de vida.


Fonte: ZUGLIANI, Antonella. Leite materno ajuda na transição para alimentos sólidos, diz estudo: Alimentação exclusiva pelo seio da mãe nos primeiros meses de vida cria flora intestinal que facilita digestão. Fev. 2015. Disponível em: http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/leite-materno-ajuda-na-transicao-para-alimentos-solidos-diz-estudo-15258659.